Marcadores

TIRAS (617) HQ (147) INSPETOR (126) RESENHAS (111) CARTUM (42) LEITMOTIV (19) LEXY DRIVER (19) CONTOS (15) CINEMA (12) LEXY COMICS (6) TEATRO (6) PORTFÓLIO (5) ROTEIROS (4) ARTES PLÁSTICAS (3) FOTOS (2)

BOTÕES DE COMPRA

Comprar VIDA DE INSPETOR
Comprar LEITMOTIV

segunda-feira, 31 de março de 2014

LOCAL


LOCAL é a minha HQ favorita do Brian Wood (o criador de GTA). Uma história tocante sobre as viagem de descobertas, e como os locais em que vivemos nos marca. Leia minha resenha aqui:


LOCAL
Brian Wood, desenvolvidor do game GTA e escritor de hq’s produziu uma de suas melhores obras nesta história.

Brian Wood é um escritor que. Na minha opinião, tem (poucos)altos e (muitos) baixos. Algumas das histórias dele me decepcionaram bastante. Mas Local não é uma delas. Foi meu primeiro contato com ele, e ainda acho insuperável!
Publicada nos EUA pela editora ONI PRESS, a revista possuiu 12 edições, cada qual com uma história fechada, passada em uma cidade diferente, e em uma época diferente. Como o autor conta em seus textos ao final de cada edição, à princípio, a ideia era apenas fazer uma história sobre as cidades, tendo uma personagem que apareceria meio sem propósito em todas elas, Megan McKeenan. Mas ela acabou tendo tanta importância, que em poucas edições, Local virou uma história sobre ela. Claro que ainda continuou sobre cada cidade diferente, mas agora, havia uma personagem como “leitmotiv” da história. Em cada edição, Megan passa um tempo em uma cidade diferente, em busca de algum lugar onde possa se sentir em casa. Ou talvez ela apenas gostasse de mudar de cidade de tempos em tempos. Essa é a primeira grande sacada da HQ, não ter essa definição explícita.
Na primeira história, Megan tem 17 anos, em Portland, e a história é sobre ela tendo que comprar remédios pro namorado. Ela repassa mentalmente várias vezes o que pode dar errado, até que decide não fazê-lo, e sair da cidade. No capítulo seguinte,cerca de 1 ano já se passou, e ela está em oura cidade, morando sozinha, trabalhando, e passando por outra história sem ligação com a primeira. Neste segundo capítulo, ela possui um amigo com quem troca bilhetes escritos em fotos Polaroid. 
O terceiro capítulo já não tem Megan como protagonista. Ela aparece apenas em poucos quadros, como fã de uma banda de rock, os verdadeiros protagonistas da história. O vocalista conta  a história do fim da banda em uma entrevista por telefone, enquanto os outros integrantes são mostrados levando suas vidas.
E assim, a história segue. Cada capítulo se passa em uma época da vida diferente de Megan, em um lugar diferente. Por várias vezes, ela é deixada de lado pra dar lugar á outro  personagem se tornar o protagonista do capítulo, com Megan aparecendo com coadjuvante. Assim, no capítulo 7, por exemplo, quando o foco é um primo dela, ainda assim somos informados sobre como ele faz parte e influencia a vida dela, através de cartões postais que ela o envia.
Antes disso, no capítulo 4, Brian nos dá uma ideia de continuidade, ao mostrar Megan dirigindo por Missoula, Montana, e ao dar carona para um homem armado, acaba sendo transformada em vítima dele, que a sequestra, e a leva até seu irmão, onde os dois tem uma discussão sobre família e escolhas de vida. Uma história densa e violenta, que nos capítulos seguintes fazem com que Megan se torne uma pessoa diferente, um pouco atormentada. Teria sido um efeito de presenciar a tragédia do capítulo anterior? Talvez.
Para dar mais razão à esse fato de que as coisas não saíram como planejado, mas que naturalmente foram ficando melhores, todas as edições vem com textos dos autores contando um pouco sobre os bastidores. Eles não possuem nenhum estilo padrão nos textos, e falam sobre qualquer coisa que aconteceu durante a produção de cada capítulo, o que insere o leitor ainda mais profundamente dentro do mundo de Megan e dos dois artistas, e como foram os percalços da produção. Para amantes das hq’s que também gostam de saber mais sobre o que pensam seus artistas, e como eles trabalham suas ideias, esses textos são um belo aperitivo.
Agora, sobe a arte. Ryan Kelly é bem competente. Já pude com ferir o trabalho dele em um arco de Vikings, também escrito pelo Wood, e que foi produzido bem depois do término de Local, e a arte era bem ruinzinha, parecia coisa de “amador fã de desenhistas de super heróis que gostam de fazer só cenas de impacto”, mas em Local, ele provavelmente fez o melhor desenho de sua carreira (bem, na verdade, nem conheço nada dele além desses dois trabalhos, estou apenas supondo). O traço em preto e branco realça os dramas e as emoções que ele coloca em cada personagem, e insere o leitor dentro do cenário. Ele também procurou variar no estilo de cada edição. Parece estranho, pois em uma arte preto e branco aparentemente deve ser muito difícil variar no estilo, mas ele conseguiu. Nuances de cinza, retículas, modificações na arte final, photoshop, qualquer recurso disponível, ele usou. E dá pra perceber as diferenças. E em como cada uma dessas pequenas modificações influenciam na leitura da historia, ou melhor, em como nós leitores somos colocados dentro da vida e Megan.
No Brasil, a editora Devir lançou LOCAL em dois volumes, cada qual compilando 6 edições originais. As revistas ainda podem ser adquiridas em livrarias e comic shops. E vale cada centavo! Uma obra que muitos leitores vão querer guardar e reler de tempos em tempos. Tenho certeza que, assim como cada capítulo mostra uma fase diferente na vida de Megan, cada leitura vai fazer o leitor se identificar com uma fase de sua própria vida.

sábado, 29 de março de 2014

FUN HOME


FUN HOME é uma autobiografia, onde a autora parece tentar descobrir os motivos de sua homossexualidade, ao mesmo tempo em que descobre que seu pai também era gay. Leia minha crítica aqui:

FUN HOME é, a princípio, mais uma HQ autobiográfica que inunda o mercado de quadrinhos da atualidade. Mas neste caso, ela vai mais além. A autora, Alison Bechdel conta um caso de sua adolescência que deixou marcar em toda a sua vida: a descoberta de que seu falecido pai era um homossexual. Alison, que também é lésbica, conta através desta história todas as suas dúvidas no relacionamento que tinha com o pai. Dúvidas e dificuldades. Ambos, ela e o pai, possuíam um temperamento difícil, e os dois não se davam muito bem, sempre “encrencando” um com o outro. Nas páginas da revista, é como se ela tentasse compreender o que se passava na cabeça dele. E porquê ele a tratava daquele jeito. Muitos anos após a morte dele, sua mãe lhe conta que ele era homossexual, mas que escondia seus relacionamentos. Alison, que nunca desconfiou de nada, passa a se questionar, se sua também homossexualidade não seria uma “herança” do pai, ou uma forma de se rebelar contra ele, ou tantas outras questão que nem dá pra explicar aqui, mas que ao ler a história conseguimos compreender toda a tensão e confusão que se passa pela cabeça de uma pessoa que começa a se fazer esse tipo de questionamento.
E a autora o faz de uma forma simples e direta. Talvez um pouco pedante em certos momentos, afinal, o tempo todo parece que ela está tentando nos dizer que a culpa de ela ser lésbica é do pai. Mas apesar de ficar o tempo todo teclando nessa mesma ideia, a história não fica repetitiva. Afinal, fica claro que o que ela pensa de si não é uma resposta definitiva, apenas questionamentos, que ela compartilha com o leitor.
Mas a HQ tem um pequeno “problema” que pode desagradar alguns leitores: Alison, como  pessoa, parece ser alguém bem desagradável. Sim, sua “rebeldia” que aprece dizer que ela se tornou lésbica pra transgredir sua relação com o pai soa como desculpa esfarrapada, que ela tenta convencer o leitor à acreditar junto dela.  Pode até parecer que ela não é segura de que ser homossexual é apenas a sua natureza, e precisa justificar. Mas isso não atrapalha a leitura, pelo contrário, para o leitor, é como se fosse a busca da trama.
Agora, por outro lado, um personagem propositalmente retratado como pessoa desagradável, mas que acaba sendo o mais interessante, é o pai dela. Ele é desagradável na visão dela. Talvez ele seja duro e cruel como qualquer pai. E é na ligação entre os dois que reside o maior conflito da HQ. De certo modo, Alison começa a história tentando justificar pra si mesmo porquê se tornou lésbica, mas acaba tendo que buscar a compreensão de porquê seu pai se tornou gay. Ou então, seria ela lésbica porque seu pai queria ser uma garota? As brigas com ele seriam pelo fato de sua filha, ao invés de ser feminina, possuía tendências masculinizadas?
Ao não encontrar respostas, como na vida real (afinal, é uma autobiografia, né?), a história fica mais interessante. E pelo fato de mostrar os fatos e conflitos de uma jovem Alison, mas numa obra produzida pela velha Alison, em cada página há os pensamentos dela da época, e de hoje. E quase sempre ainda possuem as mesmas dúvidas. Alison Bechdel faz um ótimo trabalho, pois ela se mostra como realmente é, sem máscaras, com todos os seus medos e dúvida expostos.

quinta-feira, 27 de março de 2014

WILSON


WILSON, de Daniel Clowes. Uma ótima hq contada em breves crônicas de uma página, sobre um homem de meia idade muito ranzinza (se bem que eu o achei gentil. rsrsrs).


“Wilson é um adorável malandro, um solteiro solitário, um pai e marido dedicado , um idiota, um sociopata, um fanfarrão desiludido, uma flor delicada, 100% Wilson” é o texto da contra capa da revista.  É difícil definir a história. É mais fácil pra quem conhece o autor, mesmo que tenha lido poucas obras dele.
Bem, Daniel Clowes é um dos mais famosos autores de hq’s alternativas dos EUA. Publica suas histórias principalmente dentro da revista “Eightball”, muitas delas seriadas que depois são relançadas de forma encadernada. Aqui no Brasil, é mais conhecido devido Às adaptações pro cinema de suas histórias, como “Ghost World” e “Art School Confidential”. Até pouco tempo atrás, sua única HQ publicada aqui era “Como uma Luva de Veludo Moldada em Ferro”. Apenas recentemente, tivemos o prazer de conhecer outras obras dele, como “Ghost World”, pela Gal Editora, e agora, Wilson, pela Quadrinhos na Cia, o selo de hq’s da Companhia da Letras.
Bem, Wilson possui uma história de bastidores interessante. Enquanto ficava com seu pai doente no hospital, Clowes desenhava pra passar o tempo. Fazia hq’s de apenas uma página, sempre com o mesmo personagem. Aos poucos, essas páginas foram tomando a forma de uma história serializada, que gerou o álbum.
E o álbum é uma das histórias mais divertidas que se pode esperar de uma HQ alternativa. Wilson começa de modo simples, com o personagem, um cara de meia idade, sarcástico, destilando seu mau humor sobre as filosofias da vida, e da vida cotidiana. Mas aos poucos, as histórias vão ganhando uma sequência, e passam a ter um “fio condutor” que a une, transformando-a quase em uma grande e única história. Primeiro, quando Wilson recebe a notícia de que seu pai está doente, e decide ir visitá-lo no hospital. Depois da morte do pai, ele decide ir arás da ex-mulher e da filha que nem sabia que existia. Mas não está em uma busca do tipo “vou me reconciliar com os meus erros do passado”, nada disso. Wilson vaia trás apenas porquê parece que é o que deu vontade de fazer.
Claro que uma leitura mais atenta, procurando por explicações psicológicas nos atos do personagem podem fazer o leitor encontrar várias razões filosóficas, emocionais, psicológicas, etc, nos atos de Wilson nessa busca, mas não parece ser a preocupação do autor em mostrar uma história que siga por esse caminho. Pelo contrário, é apenas ter assunto pra manter as páginas continuando a “saga” do personagem, sempre recheando cada página com as “gags” sarcásticas dele. Wilson conversa com qualquer um sobre qualquer assunto, e, como na série Seinfeld, ele sempre faz questionamentos e apontamentos sobre a condição humana, e os erros que cometemos enquanto achamos que estamos vivendo.
O personagem, apesar de mau humorado, ranzinza, e tal, parece levar a vida numa boa. Claro que, é como se ele vivesse em uma vida fora dos padrões do resto da humanidade, mas ainda assim, em seu mundinho particular, ele parece feliz.
E a forma que Daniel Clowes usou pra construir a história, fazendo-a toda em capítulos de uma única página, dá um charme especial à história. Dá pra ler cada página, e para pra rir e pensar nela antes de ir pra página seguinte. E o melhor é que ainda assim, as páginas estão ligadas umas às outras de forma perfeita. Mesmo quando se passam meses entre uma página e outra, ainda assim, há uma ligação na trama. E, tudo isso modificando o estilo da arte a cada página. De uma estilo mais “realista” pra um totalmente cartunesco, de uma página colorida pra outra com duas cores, e assim por diante. E sem fazer com que as mudanças alterem o estilo da narrativa.
Eu votaria nessa edição pra melhor história do ano no Brasil em qualquer premiação de hq’s. 


terça-feira, 25 de março de 2014

BRAT PACK


Conhece BRAT PACK? Uma obra que utiliza super heróis decadentes para criticar a forma como as editora tratam seus personagens e artistas. magistralmente produzida por Rick Veitch (Monstro do Pântano).

BRAT PACK

Rick Veith destila todo seu ódio ao mercado de hq’s no começo dos anos 80, principalmente À DC Comics.

Rick Veitch, apesar do nome pouco lembrado atualmente, é um dos principais autores de hq’s adultas dos EUA, conhecido por dar sequência às histórias do Monstro do Pântano, após a saída de Alan Moore, brigou com a DC quando esta vetou uma história sua, onde o Elemental das plantas se encontraria com Jesus Cristo. Com isso, abandonou não só a revista, como também a editora, e daí vem Brat Pack, sua mini-série que foca uma crítica nem um pouco velada à industria de quadrinhos de super heróis. Na época, além de sua história vetada, outro fato que o fez criar esta Brat Pack foi a morte de Jason Todd, o segundo Robin. Pra quem não sabe, Jason Todd foi criado em 1983. Na época, Batman havia se separado de Robin, pois a editora queria acabar com a fama injusta de herói gay do morcego. Mas como o capitalismo fala mais alto, e Batman e Robin juntos eram uma marca que dava lucro, a editora transformou Dick Grayson, o Robin original no herói Asa Noturna, e criou um novo Robin, que seria Jason Todd. Este Robin foi bem aceito até mais ou menos 1987, quando sua origem foi reformulada, e sua história passou a ser a de um menino de rua que era adotado por Bruce Wayne. Como menino de rua, ele passou a ter uma personalidade muito agressiva e rebelde, desobedecendo o Batman quase sempre. Isso desagradou os fãs, e a editora resolveu acabar com o personagem, matando-o. Para isso, criou uma linha telefônica, onde os leitores deveriam decidir se Robin morria ou não. Os votos pela morte dele venceram, e em 1988, o Coringa o matou. Ah, mas depois foi criado um novo personagem pra ser Robin, mais agradável aos fãs.
Esse tipo de situação desagradou e muito Rick Veitch, o que nos leva de volta a Brat Pack. Em sua história, somos primeiramente apresentados à cidade de Slumburg, onde vivem alguns super heróis. Eles são idolatrados pela população, mas seus parceiros mirins, não. Então, um vilão os mata com requintes de crueldade. Mas as mortes deles comovem a população da cidade, então, os heróis decidem escolher novos jovens pra serem seus novos parceiros. Aos poucos, Veitch mostra a escolha e treinamento de cada um dos jovens escolhidos, muitos deles são alienados pelos heróis pra terem toda uma nova filosofia de vida incorporada em suas atitudes pra servir melhor como “sidekicks”. O personagem que serve de ligação entre os fatos e o leitor é Cody, um ex-coroinha que sempre foi fã dos heróis, e sempre quis ser um deles. Então, com as mortes dos parceiros mirins, ele acaba sendo escolhido pra ser o novo “Chippy, o menino sensacional”, parceiro do Doninha Noturna.
Como forma de criticar diretamente a DC, o autor faz com que a história comece com um programa de rádio, onde o locutor chama os ouvintes à votar em uma enquete, se os parceiros mirins (ou “bando de pirralhos”, como são chamados pela população da cidade) deveriam ser mortos ou não. Em seguida, eles são apresentados, cada um com sua dose de amoralidade, quando o vilão “Doutor Blasfêmia”, aparece e os mata em uma armadilha.
Os heróis decidem convocar novos ajudantes, afinal, como as mortes dos antigos causou a comoção nas pessoas, eles vislumbraram que poderia lucrar com isso. E Rick Veitch escolheu cada personagem pra usar como símbolo de cada perversão que os heróis da DC poderiam significar, como se o psiquiatra Fredric Werthan (que publicou um livro chamado “Sedução do Inocente”, que acusava os quadrinhos de fazer mal aos jovens) estivesse certo sobre os heróis. Assim, eles são heróis sem pudor algum na hora de combater seus inimigos, usando e abusando do uso de álcool e drogas, racismo, pedofilia, sexismo, entre outras coisas. O Doninha, por exemplo, que representa o Batman, é homossexual assumido, e além de usar do Chippy como brinquedo sexual, combate o preconceito contra homossexuais estuprando homofóbicos em público. A senhora da Lua, que representa a Mulher Maravilha, usa o apelo sexual pra vencer os homens, e depois castrá-los, e ainda guardar os testículos como troféus.
Cada qual treina um novo parceiro, sem se esquecer de como isso pode ser lucrativo. Em meio ao combate ao crime, vemos os heróis se reunindo pra discutir os lucros que os empresários conseguem com as imagens deles, e como eles podem assinar contratos mais lucrativos.
E, quanto mais nos aprofundamos nesse mundo de heróis pervertidos, mais coisas podres ficamos sabendo. Sempre de forma a satirizar, no pior sentido da palavra, com algum símbolo que os super heróis dos quadrinhos representam. Mas, como eles mesmos parecem dizer, eles são representações de combate ao crime, não precisam acreditar em fazer o bem, apenas suas presenças já trazem uma mensagem à população. E eles acreditam nos heróis. Como os leitores, que compram seus gibis sem saber como são criadas as histórias.
Veitch faz tudo isso com um roteiro enxuto. Nem parece que acontece tanta coisa enquanto estamos lendo, mas ao mesmo tempo, a história flui com um ritmo diferenciado em cada cena, pra localizar o leitor no tempo em que ela transcorre, e pra dar o clima exato de cada momento na vida dos personagens. Outra sacada genial do autor é intercalar as várias aventuras em uma mesma página. As origens, os treinamentos e algumas lutas estreladas pelos novos “bando de pirralhos” são mostradas cada qual em meia página. Assim, a cada quatro páginas, temos a história de cada um deles, simultaneamente. E, além de cada um ter sua história, os diálogos, e algumas cenas parecem interligar a cena de um com o outro, em uma técnica narrativa parecida com a usada por Moore em Watchmen.
E a arte dele está mais limpa no desenho dos personagens, e mais suja ao retratar os cenários, em um contraste curioso, mas ideal. Ideal também é a escolha da publicação em tons de cinza. Não sei se foi tomada pra baratear custos, ou por motivos artísticos, mas os tons de cinza deixam a história mais depressiva, combinando perfeitamente com o clima de crítica à situação que os super heróis enfrentavam na época, onde parecia que atrações chamativas pra aumentar as vendas eram mais importantes que criar boas histórias que entretecem os leitores.
Pensando bem, as coisas não mudaram tanto assim.


sábado, 22 de março de 2014

LOVECRAFT


LOVECRAFT, hq do selo Vertigo que mistura a biografia do escritor com suas histórias, como se elas tivessem realmente acontecido com ele. Inusitado, e muito bem escrita. Saiba mais sobre ela aqui:

LOVECRAFT
Li recentemente esta belíssima HQ, que conta a história da vida do escritor HP Lovecraft, mas de uma forma um tanto inusitada: misturando as histórias que ele escreveu com a sua vida, como se todos os seus contos não fossem invenção, mas ele tivesse vivenciado aquilo.
Interessante, não?
Escrito por Hans Rodionoff e Keith Giffen, com arte maravilhosa de Enrique Breccia, a história começa com os pais de Harold (o HP), quando se conheceram, ele era assombrado por criaturas de outra dimensão, e tentou alertar sua esposa à avisar o filho sobre isso. Acabou em um hospício, e a mãe criou o menino (eventualmente o vestindo como menina) com a ajuda do avô. A princípio, a mãe tenta esconder o Necronomicom, o livro das trevas, dele, mas ele o encontra, e começa a ler, sem saber que ao fazê-lo estava trazendo as monstruosidades da cidade de Arkhan, nessa outra dimensão, para nossa Terra. Conforme vai crescendo, ele se torna um adulto estranho aos olhos dos outros, ao mesmo tempo que agrada seu editor com os contos estranhos que escreve. Ou melhor, ele descreve os contos vividos por ele, ou lidos no Necronomicom. Ninguém o leva a sério, mas ele fala que são reais assim mesmo. Até que ele se apaixona. Ele então, passa a tentar levar uma vida normal, mas aos poucos os seres de Arkhan começam a tentá-lo cada vez mais.
O que torna essa HQ uma excelente leitura é o fato de os fatos biográficos estarem tão bem mesclados com os ficcionais que tornam tudo muito crível. Os autores conseguem fazer com que cada passagem da vida do autor tenha sido influenciado pelo livro, e cada mudança em sua vida seja uma obra causada pelo contato com alguma das criaturas. Até mesmo o fato de porquê ele escreveria sobre isso tem uma explicação narrada na história, em seus momentos finais, claro. E o personagem Lovecraft encara os maiores terrores sempre com um ar calmo, quase como se fosse um portador de asperger.
E a arte do argentino Breccia é perfeita, ele consegue experimentar vários estilos de pitura diferentes, de acordo com o clima e a “locação” da história onde se passar determinada cena. Além de um enquadramento simples e sóbrio, ideal pra fazer o leitor mergulhar no clima  fantástico da história, mas ainda assim manter a mesma frieza e calma que o Howard Lovecraft sente quando encontra os monstros.
Assim, a HQ segue com um ritmo lento, e cheio de climas, nos fazendo acompanhar friamente e apreciando cada detalhe da vida dele, ao mesmo tempo em que, sem que nos demos conta, os segredos e mistérios do Necronomicom vão crescendo até o clímax da história, que chega tão de repente quanto cada momento da HQ, com a razão da luta desde escritor que relutantemente precisava assumir seu lugar como guardião do portal dimensional que era o livro. E um modo de impedir que os seres saiam de lá e venham pra nossa dimensão. E o resultado, é simples e inesperado. Um final perfeito pra coroar uma HQ excelentemente executada.

sexta-feira, 21 de março de 2014

LEXY DRIVER # 15


Uma tira que era pra ser feita na época do escândalo da psicóloga direta. Mas, como sou relaxado...

quinta-feira, 20 de março de 2014

BLACK KISS


Uma HQ erótica publicada nos anos 80 por um autor que estava no mainstream? Sim, Howard Chaykin, um dos grandes roteiristas da época (se não em fama, ao menos em qualidade), nos trouxe esta ótima obra, que mistura sexo, policial, e esquisitices. Saiba mais aqui:

BLACK KISS
Um marco dos quadrinhos eróticos é relançado em formato de luxo no Brasil.
Recentemente foi relançado no Brasil BLACK KISS, de Howard Chaykin, um dos mais polêmicos quadrinhos eróticos já feitos. A nova edição, da Devir, em capa dura, e com todo o luxo pra justificar o preço. Não tenho essa edição, mas a edição que foi publicada por aqui em 1991, pela editora do Casseta e Planeta. Por isso, não vou falar sobre a nova edição, mas apenas sobre a história. Black Kiss foi publicada por uma editora do Canadá, visto que o autor não conseguiu nenhuma editora americana que topasse publicar algo tão pornográfico. E a história vai além da pornografia pura e simples, mas possui uma trama das mais estranhas já feitas em quadrinhos. Howard Chaykin já disse que sua intenção não era fazer apenas uma história pornô, mas uma história noir cheia de sexo. Quem conhece os outros trabalhos do autor, feitos nos anos 80, sabe que sexo é algo comum no dia a dia dos seus personagens. Reuben Flagg, da excelente American Flagg, tinha várias amantes, assim como os personagens de Time², por exemplo. Então, Black Kiss teria que ser algo com mais sexo.
Nesses já citados trabalhos do Chaykin, dá pra ver que ele tem predileção por histórias policiais. Em Black Kiss, ele faz uma história ainda mais noir, mas com a extravagância de um David Conenberg. A história começa com Cass Pollack, um bandido fugindo da polícia e de seus ex-comparsas de crime. Ele dá carona pra Dagmar Laine, uma transsexual, que mora com Beverly Grove, uma ex-atriz pornô com quase um século de idade. Acusado de um assassinato que não cometeu, “Cass” acaba pedindo abrigo na casa das duas “namoradas”, que aceitam ajudá-lo se ele fizer um favor pra elas: entrar em um clube de swing frequentado por membros de uma seita secreta, e roubar um filme pornográfico estrelado por “Bev” décadas antes. Se ele cumprir a missão, elas o ajudarão. Mas “Dag” é namorada de um dos bandidos que perseguem Cass, então, quando as histórias se cruzam, não sobra escapatória pra ninguém.
Sem contar o final, ou como a história se desenrola em detalhes, essa é a trama básica. Esse plot envolve vários segredos de vários personagens, que se misturam no decorrer da HQ de forma que o final é uma grande mistura de tudo isso, com todos tentando se livrar das várias enrascadas que se envolveram, e que só pioraram com o envolvimento dos outros. Sem contar que todas essas cenas são permeadas por cenas de nudez e sexo explícito. Poe exemplo, quando Cass pede ajuda pras duas, elas começam a tirar a roupa e transar na frente dele, enquanto fazem a proposta de como ajudá-lo. Depois, ele participa do ato sexual, e só quando termina é que descobre que uma delas é um travesti. Na conclusão da história, poucos personagens estão vestidos em suas roupas. Mas, apesar do que toda a sexualidade explícita da história nos faça pensar, não se trata de uma história sobre sexo, mas apenas uma história recheada de sexo. O que Black Kiss é de verdade, é uma história policial envolvendo o mundo da pornografia.
Nem preciso avisar que esta é uma HQ feita exclusivamente pra adultos, certo?
Nos EUA, nos anos 80, a revista foi distribuída em uma embalagem plástica, pra que ninguém pudesse folheá-la dentro das bancas.

quarta-feira, 19 de março de 2014

PREACHER


PREACHER, a polêmica e divertida obra máxima de Garth Ennis e Steve Dillon. Leia um pouco sobre ela aqui:

Uma das HQ’s mais polêmicas dos anos 90 está sendo relançada (novamente ) no Brasil. PREACHER, de Garth Ennis (roteiro) e Steve Dillon (desenhos), está com seu primeiro volume sendo lançado pela Panini Comics. Pra quem não conhece, a revista conta a história de Jesse Custer, um pastor protestante com poderes especiais, que sai pelo mundo procurando por Deus, que abandonou o céu. Daí que vem a polêmica, pois muitos religiosos que nunca leram a HQ já ficaram revoltosos.
Publicada a partir de 1995, pela DC Comics, através do seu selo Vertigo de quadrinhos adultos, a revista começa com Jesse Custer tendo uma crise de fé. Bêbado, ele entra em um bar, e reclama de todos os pecadores da pequena cidade de Annville, Texas, que não se importam em passar os dias pecando. No dia seguinte, a igreja estava lotada, pois toda a cidade ouviu sobre o surto do pastor, e queria ver. Nesse momento, surge  uma criatura chamada GÊNESIS, que depois se revela com sendo o filho de um anjo e uma “demônia”, uma criatura que não deveria ter existido, por combinar os poderes do céu e inferno, bem e mal juntas. Assim, quando ele nasce, Deus decide abandonar o céu e todas as suas responsabilidades para com a humanidade. E vagar pela Terra.
Quando a criatura se choca com Jesse, passa a fazer parte de sua alma, dando-lhe “o poder da palavra”, que faz com que todos que ouçam a voz de Jesse obedeçam, o que quer que ele peça pra fazer. Após descobrir que Deus não está mais no céu, Jesse, em companhia de sua ex-namorada Tulipa, e de um vampiro divertidíssimo chamado Cassidy,  eles começam uma peregrinação ao redor do mundo, procurando por Deus. . Tudo isso é contado no primeiro encadernado da saga, que acaba de ser relançado, A CAMINHO DO TEXAS.
Mas, ao contrário do que possa parecer, a proposta dessa HQ não é criticar a religião. Conforme as histórias transcorrem, o leitor se depara com vários contos divertidos sobre os valores humanos, principalmente a amizade e o amor. Contos divertidos e violentos. Garth Ennis várias vezes foi considerado o Quentin Tarantino das hq’s. E os desenhos simples e expressivos de Steve Dillon contribuem e muito pra esse resultado. Atualmente, o escritor está se repetindo, fazendo hq’s com o mesmo estilo de violência e humor negro, mas de forma gratuita, mas na época, ele estava no auge de sua criatividade, e cada página de PREACHER surpreendia o leitor. Garth Ennis constrói sua saga de forma excelente, nos moldes dos melhores seriados.
Nas edições seguintes, embora a “missão” de Jesse seja encontrar Deus, aos poucos a história vai tomando outra direção, e no decorrer da saga, Ennis nos revela que na verdade, tudo não passa de uma história envolvente sobre a condição humana, em especial os relacionamentos. Talvez de propósito, o trio principal seja composto de um amigo e um amor do personagem principal. Assim, o que começa como uma busca grandiosa se transforma em uma busca interior.
No meio da saga, os autores fazem uma pequena reviravolta que parece a princípio um erro, mas que depois se mostra como algo acertado: ele faz os personagens acharem um meio mais rápido e fácil de encontrar Deus. Então, a peregrinação pelo mundo aparentemente pode chegar ao fim de forma abreviada. É aí que a grande reviravolta acontece. As relações entre todos os personagens fica abalada, além de um plano do vilão principal da série separar os amigos. Mas depois de uma pausa de busca interior entre eles faz com que a busca retorne ainda mais forte, e somos encaminhado para um final surpreendente. Garth Ennis, declaradamente ateu, acaba criando um Deus muito mais próximo aos humanos do que estamos acostumados à ver em outras obras.
Com personagens muito bem construídos, diálogos que fluem com uma naturalidade bem real, além de divertidíssimos, a série, que teve 66 edições, além de 6 especiais, pode ser encontrada no Brasil solta (apesar de incompleta) em sebos, ou em edições encadernadas, que foram publicadas por várias editoras, e atualmente, pela Panini Comics.


domingo, 16 de março de 2014

A MODA RAMÔNICA


HEY, HO! LET'S GO!
Tira pra ler ouvindo qualquer música dos Ramones ou essa homenagem feita pra eles pelo Motorhead:


sexta-feira, 14 de março de 2014

BAKUMAN


O primeiro mangá que eu colecionei do começo ao fim.
Uma ótima história, que além de possuir personagens cativantes, e uma trama bem amarrada, mostra os bastidores da indústria dos mangás.

O FINAL DE BAKUMAN
Chegou ao fim no Brasil um dos melhores mangás do mercado.
Não sou um otaku. Não leio vários mangás. Assim como faço com as hq’s de outros países, sou bastante seletivo com os mangás. Na verdade, nem discrimino o mangá como sendo algo diferente dos quadrinhos em geral. Os chamo de gibi como todos os integrantes da minha coleção. Por isso, relutei um pouco em comprar Bakuman, a princípio, apesar da temática ter me chamado atenção de imediato. Só comecei a colecionar após indicação de um amigo. E fico feliz por ter feito isso.
Mas tudo que é bom acaba. E chegou ao fim a série que talvez seja a mais original já feita no mundo dos  mangás. Antes de Bakuman, só conhecia a biografia do Osamu Tezuka como uma obra que mostra os bastidores da produção dos quadrinhos japoneses. E nem era uma leitura tão empolgante, visto que era uma biografia um tanto “didática”. Mas Bakuman é diferente. Bakuman empolga de verdade. E nos faz sentir como se fôssemos dos personagens. Acredito que deva ser impossível um leitor que sonha em fazer quadrinhos ler esta obra, e não se identificar de imediato com algum dos personagens.
Bakuman mostra com competência as vidas dos vários personagens, alternando com competência os vários personagens coadjuvantes com os principais. Há espaço para todos. E, curiosamente, não há vilões. Sim, nas últimas edições apareceu um cara chato se dizendo melhor que todo mundo, e que seu mangá poderia se tornar o melhor já feito, mas ele é tão humano quanto os outros personagens.
Falei “humano”? Sim, é isso o que diferencia esta HQ. Os personagens são humanos, não há sagas cósmicas, ou adolescentes treinando lutas. Aqui, há a vida “real”, com personagens que querem apenas conquistar seus sonhos. Vemos Akito Takagi, e Moritaka Mashiro fazendo o possível para conquistarem o topo de artistas de mangá. E acompanhamos passo a passo de suas carreiras, as vitórias, os problemas, a competição com outros autores, os leitores, etc.
Pelas 20 edições da história, pudemos ver a dupla (que assinava seus trabalhos como “Muto Ashirogi”) apresentar projetos para concursos, conseguir publicar um trabalho, sofrerem o cancelamento devido à queda no gosto dos leitores, experimentarem outro estilo de HQ, conhecerem outros autores, trabalharem com vários assistentes diferentes (e se envolverem nos problemas pessoais de alguns deles), etc. E n ao era apenas a dupla de protagonistas que eram personagens bem construídos. Todos os coadjuvantes tinham seu próprio conteúdo. Não havia personagens “vagos”, cada um era motivado por uma sensibilidade própria, mesmo quando ocorriam pequenas mudanças no decorrer da trama. Para atender ao andamento da história, alguns tiveram pequenas alterações. Kô Aoki, que começa com uma moça “metida”, aos poucos acaba se mostrando uma pessoa gentil, e simpática. Ou Kazuya Hiramaru, que aparece pela primeira vez como um bêbado oportunista que nunca leu mangás, mas se aproveitava do fato de ser um emprego fácil pra se dar bem na vida, e acaba sendo o melhor personagem cômico de toda a série.
Aliás, sobre ele, vale um adendo: seu personagem “Lontra nº 11” é o melhor de todos os mangás criados pelos personagens de Bakuman. Os mangás criados pelos personagens são mostrados, em ilustrações, e trechos de histórias imaginárias, com se realmente existissem no mundo da série. E, propositalmente ou não, a maioria desses mangás são bem “lugar comum”, pra dizer o mínimo (tá bom, eu assumo, a maioria seria uma tranqueira se realmetne existissem, na minha opinião). É até curioso como a dupla que criou Bakuman, quando coloca seus personagens criando, faz hq’s sem grandes atrativos. 
O mais legal talvez seja ver como realmente funciona uma editora de hq’s no Japão. Ao contrário do que muitos otakus me diziam, o mangá não é tão autoral assim. AS interferências dos editores dizem muito sobre o resultado final que chega às nossas mãos. Particularmente, depois de ler Bakuman, fiquei ainda mais criterioso em ler mangás. Até li um outro título de humor, e odiei. Fiquei imaginando o editor orientando o autor a fazer piadas forçadas, assim como é mostrado que acontece nas páginas de Bakuman.
É impressionante como de um tema simples, como o dia a dia profissional de autores jovens, é possível extrair tantos argumentos interessantes! Não houve uma edição sequer que eu não me envolvesse tanto com a trama e os personagens. Alguns podem me chamar de hereges, mas achei que essa HQ superou até mesmo a já clássica DEATH NOTE, dos mesmos autores, Tsugumi Ohba e Takeshi Obata. 20 edições cheias de reviravoltas, a cada 2 ou 3 edições, era como se estivéssemos lendo uma história diferente com os mesmos personagens. Não era uma única história. De certo modo, como a vida.

Ao final, um sentimento de tristeza, por lembrar que não terei mais minha dose mensal do dia a dia deles. Ri muito, fiquei apreensivo, torci por eles, e até mesmo achei besta eles se importarem mais em ter um anime do que em fazer um mangá. Mas é isso. Acabou. Até a próxima obra deles!

quarta-feira, 12 de março de 2014

FRACASSO DE PÚBLICO


Este é o gibi mais bacana que já el na vida! Exagero? Só se você não o conhece. Saiba um pouco sobre FRACASSO DE PÚBLICO no meu texto: 

“Fracasso de Público”, badalada HQ publicada no Brasil pela Gal Editora, é simplesmente uma das maiores surpresas que um leitor pode ter em sua vida. Exagero? Só pra quem odiar o gênero de hq’s alternativas. Afinal, todos que leram concordam que a série independente de Alex Robinson é uma das mais belas e divertidas obras que se tem notícia.
Publicado nos EUA nos a nos 90, pela Antarctic Press, e mais tarde reunidas pela Top Shelf, “Box Office Poison” é uma daquelas histórias sobre pessoas comuns levando uma vida normal. Pra maioria dos leitores, que já ouviram falar de quadrinhos como ”Estranhos no Paraiso”, pode parecer nada mais que “mais outra HQ no mesmo estilo”. Mas engana-se quem pensar assim. Fracasso é uma história daquelas com algo a mais. Algo mais sutil, mas ainda assim, algo que torna a HQ muito mais completa que a maioria do que lemos por aí.
A história começa apresentando os amigos Sherman e Ed. Sherman está de mudança pra uma nova casa, um quarto alugado por Stephen e Jane, de quem se torna amigos, e acabam se tornando personagens tão importantes quanto a dupla principal. Ed é aspirante à quadrinhista, e após ter um trabalho seu recusado pela fictícia editora “Zoom Comics”, acaba se tornando assistente de Irving Flavor, um autor da era de outro das hq’s, criador do personagem Nightstalker, mas que hoje vive na miséria, sem ter os direitos sobre a própria criação. A princípio, a HQ é sobre os problemas comuns do dia a dia de pessoas comuns. Namoros, casa, aluguel, vizinhos, empregos chatos, essas coisas. Mas aos poucos, cada personagem vai desenvolvendo uma trajetória individual, com pequenos problemas que prendem a atenção do leitor. Alex Robinson cria uma saga onde mesmo um pequeno problema como um cachorro latindo é transformado em algo grande, terrível e envolvente, tanto pros personagens quanto pro leitor.
E, como grande conflito, temos o fato de Ed decidir ajudar o Sr Flavor à retomar os direitos de sua criação, ou ao menos ser financeiramente compensado. Com isso, o autor consegue fazer uma crítica à indústria dos quadrinhos ao mesmo tempo em que presta uma homenagem aos artistas da “Era de Ouro” dos Comics.
Os desenhos de Alex Robinson, nas primeiras edições estão dentro do padrão de hq’s alternativas, sem grandes inovações estilísticas, mas já cativam logo nas primeiras páginas, com seu traço limpo, cartunesco, e com perfeita utilização do contraste com preto. O uso de grandes areas de preto dando o preenchimento do cenário, da profundidade da cena, ou como efeito dramático são usados de forma perfeitamente adequada. Mas com o decorrer das edições, o que é bom fica melhor, pois as linhas do autor adquirem uma certa fluidez mais limpa. E os recursos gráficos que o autor emprega são dignos de grandes mestres do meio, como Eisner.
E o roteiro, o principal atrativo, é feito de vários momentos distintos. Cada capítulo possui seu próprio estilo, ritmo e tom. O autor passeia do drama à comédia com a maior naturalidade, como na vida. Em uma momento, Sherman está em seu trabalho em uma livraria, atendendo fregueses com perguntas idiotas, no outro, lembranças de uma infância triste, e indo à extremos da forma mais natural, que quase não percebemos o ponto de mudança, e nos deixamos levar. Nada soa forçado, tudo é feita na mais tranquila naturalidade. E os diálogos São tão bem feitos, que mostra a vida de cada personagem, dá pra acreditar que estamos lendo uma biografia, e que tudo ali é real.
Eu, particularmente, me senti íntimo de cada personagem. Acompanhar toda a saga durante os anos em que foram publicados no Brasil foi um grande prazer, e com tristeza, li as últimas histórias. Tristeza por saber que estou lendo um final de uma ótima história. Mas ao mesmo tempo, com a satisfação de ter lido algo que vai ter um lugar especial em minha estante, pra ser relido de tempos em tempos.

terça-feira, 11 de março de 2014

CRÔNICAS DE UM FERIADO PROLONGADO


Estou atrasado, eu sei. Devia ter postado durante o feriado de carnaval. Feriados fazem isso com a cabeça da gente...

sexta-feira, 7 de março de 2014

FIGURAS DA INTERNET


Quem nunca viu um tipo desses, não? Nem preciso dizer que essa tira é baseada em comentários reais que vi pelo Facebook, né...?



terça-feira, 4 de março de 2014

EX-MACHINA


Um dos melhores gibis da década passada!
EX MACHINA conta a história de um ex-super herói que se torna prefeito de Nova Iorque. Uma mistura de ação com política, em uma história sensacional. 
Leia minha resenha aqui: 

E, aqui, um texto com minhas impressões sobre o final da série:

EX-MACHINA – VOLUME FINAL

Uma visão sobre o final de EX-MACHINA, de Brian k. Vaughn.
Há obras que tocam o leitor. E o que faz uma grande obra ser realmente grandiosa, é quando ela deixa a sensação de que há várias interpretações diferentes. Aqui, vou fazer algumas considerações sobre o final desta intrigante saga em quadrinhos. Mas, como acabei de mencionar, não se trata de um texto definitivo. É apenas algo que me passou pela cabeça. Acredito que cada leitor pode concordar, discordar, ter outra visão, ter notado pontos que complementam, ou não, a minha teoria, etc. Estou com este texto “entalado” na garganta desde que li a edição final da saga, em janeiro. Só agora, resolvi “lapidar” um pouco, antes de publicar. Se quiser deixar sua opinião nos comentários, desde que educadamente, seja bem vindo(a).
Na primeira página da primeira edição, Mitchel Hundred  diz que o ano de 1995,o último de seu mandato como prefeito de Nova Iorque, foi um ano “maldito”. O que será que aconteceu, é algo que deixava os leitores curiosos, em um jogo brilhante do autor. Afinal, embora todos os volumes dessa revista fossem um tanto “mornos” (mas nunca chatos, é bom que se diga), sabíamos que estávamos caminhando para um final bastante chocante, para dizer o mínimo.
Mas o que aconteceu na última edição? Concluindo: ao meu ver, Hundred deixou de ser um super herói, e se tornou um super vilão. Isso mesmo.
Se pegarmos o volume todo, e analisarmos os primeiros 4 capítulos, temos uma história “normal”, como todas as outras de Ex-Machina. A repórter Suzzanne Padilla virou vilã, dominada pelo mesmo poder que deu a Hundred seus poderes. Os dois lutam, e Hndred vence. Nada demais. Mas então, o que foi que fez deste ano algo tão maldito? O fato de ele ter quebrado sua própria promessa, e usado o uniforme de GRANDE MÁQUINA? Não. Foi a morte de sua mãe.
Assim como acontece nos mundos dos quadrinhos de super heróis, o personagem se torna um fantasiado quando os pais morrem. Se Mitch já havia sido um super herói, então, a morte da mãe pode tê-lo tornado algo diferente. Algo pior. Ele perdeu as esperanças em fazer algo de bom para o mundo. Afinal, isso lhe trouxe desgraça. E, como é mostrado em várias edições, ele era muito apegado a mãe. Mitchell agia com um certo padrão moral, que se modificou quando da morte dela. Ele tomou decisões apressadas, como até mesmo usar o uniforme. E, depois disso, cortou relações com amigos, e colegas políticos. O Mitch Hundred que termina as páginas finais da história é um político como todos os outros, que faz politicagens apenas para crescer. Afinal, se antes parecia que ele queria tentar fazer o melhor para a população, agora, ele mata os amigos, e vai galgando degraus na esfera política até se tornar vice-presidente.
Nada é proibido nessa ascensão política. Nenhuma ética é questionável agora. Ele não tem mais nada a perder. Ele não é mais o super herói. Talvez assim como já aconteceu com heróis Marvel e DC que viraram vilões, Mitch Hundred decidiu seguir o caminho do mal. 

segunda-feira, 3 de março de 2014

OSCAR

Tira feita para o site ARTE COM PIPOCA, onde eu colaboro escrevendo sobre cinema. Acesse, conheça, e se informe sobre a sétima arte!